• DOIS ANOS DE IMPUNIDADE

    Atividades marcam dois anos do assassinato do médico e professor da Ufal Luiz Ferreira de Souza

     Culpados pelo crime estão presos, mas não foram a julgamento

    A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal) participa das atividades que vão marcar a passagem de dois anos da morte do médico, vereador do município de Anadia e professor do curso de medicina da Ufal, Luiz Ferreira de Souza, assassinado no dia 3 de setembro de 2011. Organizadas por amigos e familiares, as atividades vão ser realizadas em Maceió e em Anadia, terra natal do professor. Nesta quarta-feira (28), às 14h30, os dirigentes da entidade vão acompanhar a coordenadora do Programa Ufal em Defesa da Vida, professora Ruth Vasconcelos que vai entregar ao Ministério Público Estadual uma lista com nomes de vítimas de crimes impunes, nos últimos 13 anos, em Alagoas, inclusive o do professor Luiz Ferreira, vítima de crime bárbaro que chocou a sociedade alagoana. Na sexta-feira (30) será realizada sessão solene na Câmara Municipal de Anadia em homenagem a sua memória e, no dia 2 de setembro, uma missa na Igreja Nossa Senhora da Piedade. Em Maceió, também vai acontecer uma missa. Celebrada pelo Padre Manoel Henrique no dia 3 de setembro, às 19h, na Capela do Recanto Coração de Jesus, no Barro Duro, a missa contará com a participação de 12 cantores do Coro da Ufal. Durante esses dias, serão expostas faixas alusivas ao crime e à data em vários pontos das duas cidades e estendidas por familiares e amigos durante os atos realizados. “Essas celebrações nos ajudam a fortalecer nossa luta por justiça. Essa é uma forma de reverenciar a memória de Luiz. Há um reconforto em encontrar pessoas que nos conhecem e sabem de seu caráter e exemplo de vida. A justiça feita será um tributo a sua dignidade e uma forma de minimizar a nossa dor. Que venha esse julgamento! Que a justiça julgue e que os culpados paguem pelo crime cometido!”, diz a viúva, professora de música da Ufal, Rita Namé, com quem o professor Luiz Ferreira foi casado 30 anos. Para ela, as famílias que sofrem a violência de ter seus entes queridos arrancados de seu convívio nunca vão ter o sentimento aliviado de um desfecho feliz. “Pelo menos nessa nossa dimensão terrestre. Temos que aprender a lidar com essa ausência-presença ou essa presença-ausência a cada novo dia, a cada nova agonia, a cada nova alegria que a vida nos proporciona”, reflete. Ela diz que a família vai cobrar por justiça até que os culpados sejam condenados. “Tiraram a vida de Luiz por ele ser um cidadão digno, um vereador independente e atuante que condenava as ações perniciosas ao município, como por exemplo, o desvio de sete milhões dos cofres da prefeitura de Anadia”, afirma. 
    Sobre o crime – Luiz Ferreira foi executado com 13 tiros numa emboscada em que os criminosos simularam a situação de uma pessoa passando mal na estrada e ele, na condição de médico, parou o carro para prestar socorro. O crime aconteceu após a vítima ter participado de um programa de rádio, em Maribondo, em que anunciara que seria candidato a prefeito de Anadia. 
    Culpados e provas - O inquérito policial, feito por três delegados, apresentou provas de que se tratou de um crime com motivação política e acusou como mandante a então prefeita de Anadia, Sânia Teresa Barros e mais seis pessoas já denunciadas pelo Ministério Público como autores materiais e intelectuais do crime. Acompanhamento - Ao lado de amigos e familiares do professor Luiz Ferreira, a Adufal vem acompanhando o processo desde os primeiros momentos e pede celeridade à justiça. “Acreditamos que o caso está sendo bem conduzido, mas entendemos que a demora do julgamento dos assassinos é uma ferida aberta no coração de amigos e familiares da vítima cujo tratamento só tem eficácia quando não demora a ser feito”, disse o presidente da Adufal, professor Marcio Barboza. 
    Programa Ufal em Defesa da Vida – é uma iniciativa das coordenações de Política Estudantil e de Ações Acadêmicas da Pró-Reitoria Estudantil (Proest) da Ufal. Seu primeiro ato foi realizado em abril de 2009, no espaço da Avenida Central da universidade, onde foi instalado um grande varal em que foram estendidas 2.064 camisas representando simbolicamente as 2.064 vítimas de violência letal em Alagoas, no ano de 2008. Em sua 12ª edição realizada em julho deste ano, o Programa convidou amigos e familiares de vítimas fatais da violência cujos culpados não foram punidos, a compartilharem seus sentimentos em torno da perda e da impunidade, no blog do Ufal em Defesa da Vida. “Há algo comum nos vários depoimentos feitos: a sensação de que a morte violenta destrói não apenas a vida da vítima, mas também a vida dos que ficaram vivos”, observa a coordenadora do Programa, Ruth Vasconcelos, professora de sociologia da Ufal. “Estamos certos de que o Ministério Público tem interesse em ver os crimes esclarecidos. A impunidade intensifica a dor e o sofrimento das pessoas que vivenciam essa experiência, ao ponto de subtrair a razão de viver e provocar a morte psíquica”, analisa. Segundo suas observações, a punição justa dos culpados possibilita a vivência do luto com dignidade. No entanto, avalia que tem havido um descompasso profundo entre a morosidade da justiça criminal e o sentimento de urgência que mobiliza as famílias e amigos. “Eles precisam ver a condenação do crime para conseguir amenizar a dor, pacificando-se com justiça”, atenta.

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