• DIÁRIO DE BORDO N.02



    Orquestra Sinfônica Brasileira  - 70 anos!

    Por Prof. Dr. Eduardo Xavier
    Theatro Municipal do Rio de janeiro, 17 de Agosto de 1940 - 17 de Agosto de 2010! Com a presença da nata social e intelectual carioca, o centenário Theatro abriu suas portas para um público também seleto, os amigos e parentes dos músicos da OSB. O concerto comemorativo abriu com a Orquestra Jovem executando o Hino Nacional, sendo a platéia regida pelo maestro titular da OSB Senior, Roberto Minczuk. Segui-se  a "Entrada" do III Ato dos Mestres Cantores de Richard Wagner. Em seguida, retirou-se do palco sob grade ovação os jovens que, com uma bolsa mensal de cerca de mil reais, estudam com os professores da OSB e com os monitors de naipes. Entrou a orquestra senior e executou o mesmo programa do da estréia da orquestra, há 70 anos.  A Abertura da ópera Oberon, de Carl Maria von Weber, a Sinfonia n. 5, em dó menor, opus 67 (vigorosa!), de Ludwig van Beethoven. Em seguida  dois movimentos da Serenata para Cordas, de Alberto Nepomuceno seguido pelo Prelúdio, Dança dos Aprendizes e Entrada do III Ato dos Mestre Cantores, de Richard Wagner. O concerto foi encerrado com a peça de Jaromir Weinberger, Schwande: Polka e Fuga. A peça, por ser de quase total desconhecimento do público não poderia ter sido a última do programa haja vista que além desse fato, não termina jubilosa como requereria um concerto comemorativo. Certamente ou os Mestre Cantores ou a Quinta de Beethoven teriam tido maior efeito. Como bis, crianças do Coral Infantil da OSB juntaram-se à orquestra e cantando dos camarotes presidenciais, executaram um arranjo do Trenzinho do Caipira, de Villa-Lobos e um peça folclórica brasileira. A noite foi memorável pela data, pela presteza e sonoridade da orquestra, resgates do maestro Minczuk nos últimos anos que assumiu a direção artística da OSB.
     O programa certamente serviu à platéia de estréia da orquestra, mas fica a pergunta: serviu para a platéia atual? O que destoou foi a peça de Weinberger como peça de fechamento de concerto, pois morna e quase desconhecida da platéia e os aplausos foram quase d´oblige. Claro, a OSB sempre será a OSB e seu carisma vai correndo o tempo, mas o bis poderia ter sido apresentado com alguma peça mais festiva, para cima (além claro, das crianinhas ainda verdes na arte do canto coral, contudo sem fazer feio, afinadas, entrado adequadamente no tempo e seguindo o maestro Minczuk, ese, todo orgulhoso e com razão!). Ficou uma discreta lacuna no final, mesmo com o charme de crianças cantando com a orquestra. Programa comemorativo nemj sempre combina com programa de estréia (ainda insisto na última peça, a Swanka, de Weinberger) . Mas isso são comentários que não empanam de forma nenhuma o brilhantismo da orquestra, de seu maestro competentíssimo e o charme da OSB. Além, claro, do ambiente glamuroso que são os vários recintos abertos ao público do centenário Theatro Municipal do Rio de Janeiro cheio de gente elegante, celebridades e felizes anônimos pelo evento, como os parentes dos músicos e este escriba que vos narrou o evento. Eduardo Xavier (do Rio de Janeiro).